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Ciberdemocracia, Ciberativismo e Política: O caminho para realidade virtual

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por Rodolpho Raphael*

Brasília não é a mesma desde a eleição presidencial, criou-se uma divisão política que rompe o próprio mapa do país e as suas fronteiras midiáticas. Os sucessivos protestos, que na sua grande maioria foram marcados através das plataformas de redes sociais ou aplicativos que refletem a imersão do internauta na era da mobilidade, culminaram na aprovação do impeachment à presidente Dilma Rousseff por parte da Câmara Federal no último domingo, dia 17 de abril.

Um fato interessante que por trás de tudo isso, podemos elucidar a relação entre política e comunicação e como ela vem se firmado como tema relevante de estudos contemporâneos. O que nos faz chegar a esta afirmação é a constituição dos meios midiáticos sejam eles analógicos ou digitais que contemporaneamente tornaram-se fios condutores da sociedade e fonte de grande influência nas mais diversas áreas.

Tais mudanças, favorecem a “interatividade” como ideologia de participação, possibilitando uma relação cada vez mais intensa de influência mútua com as mensagens entre os cidadãos, que por sua vez, utilizam as plataformas de redes sociais e os aplicativos bem como, o espaço cibernético, potencializando a ciberdemocracia, resultado da poderosa ferramenta de expressão que por sua vez consegue gerar novas formas de manifestações e mobilizações sociais e políticas.

Ao mesmo tempo, todo esse contexto nos faz entrar numa reflexão profunda sobre a crise democrática que o país enfrenta e que está associada à mais duas outras crises: A econômica e a principal de todas elas – a crise ética, que nos deixa a indagação se realmente, a Internet se torna uma característica da capacidade de revitalização da democracia, a partir da imersão dos usuários nas plataformas de redes sociais, cuja coletividade e participação nos debates em seu estágio ciberdemocrático, resultam em um outro estágio: o ciberativismo.

Para Lévi, a multiplicidade de expressões na internet resultadas a partir desta construção nas plataformas de redes sociais e aplicativos, enriquece a política e permite a formação de uma nova esfera pública. O próprio Habermas (2003) defende que a integração de uma sociedade se dê por meio do poder comunicativo dos cidadãos que a compõem. Com isso, a adoção das novas mídias por parte dos internautas, resulta em um processo de reconfiguração no que tange a percepção e articulação de medidas importantes para todos, onde os sistemas se valem de uma linguagem comum, utilizada na esfera pública política, sistema político dando como fruto uma nova cultura política.

O fato é que o poder enquanto processo fundamental da sociedade, permite a todos nós, atores sociais, influenciar assimetricamente as decisões do outro, de forma que, favoreçam à vontade, os interesses e os valores do ator que detém este poder. Nesse caso, os internautas que passam a ser ciberativistas inseridos num contexto de ciberdemocracia e que influenciaram positivamente ou negativamente o resultado da votação do impeachment a partir das mobilizações no âmbito virtual x real.

Finalizando, a democracia reside na capacidade de se opor ao poder da herança, da riqueza, da influência social e dos números. A participação política, se torna essencial para mantê-la viva onde a cultura política possa potencializá-la a partir dos efeitos que estamos vivendo enquanto Ciberdemocracia, o ciberativismo não passa de uma grande rede e como o próprio Castells afirma, essas redes ‘fazem uma relação direta com a sociedade na Era da Informação’ definindo-as como um conjunto de nós interconectados e indo mais além, laços sociais formados através desta comunicação onde os indivíduos se apropriam da mídia digital com vistas à fomentação da maior participação política segundo “governação da coletividade” (LÉVY, 2006). Com o desejo de ampliar, aprimorar ou transformar o sistema democrático contemporâneo, concedendo-o um caráter mais participativo, mais comunicativo e discursivo”. (LEMOS; 2003).

 

Bibliografia

Lévy, Pierre. Cibercultura. 12 ed. Editora 34, São Paulo. 2006

Habermas, Jürgen. O papel da sociedade civil e da esfera pública política. In: Habermas, Jürgen. Direito e democracia. Entre facilidade e validade. Trad. Flávio B. Siebeneichler. 2 ed. Tempo brasileiro, Rio de Janeiro, 2003

Lemos, André. Cibercultura. Alguns Pontos para compreender a nossa época, in Lemos, A.; Cunha, P. (orgs). Olhares sobre a Cibercultura., Sulina, Porto Alegre, 2003.

 

* Rodolpho Raphael – Jornalista, Professor Universitário e Especialista em Mídias Digitais, Comunicação e Mercado.  E-mail: [email protected]

autor convidado

O Blog Comunicação e Política agradece a todos seus autores convidados pelas suas contribuições.


1 COMENTÁRIO

  1. Excelente texto. Científico e prático ao mesmo tempo. Muito leve e tranquilo pra leitura. Boa sacada meu amigo Rodolpho Raphael de Oliveira, seus textos sempre contribuem. Abraço.

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