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Protestos na Romênia e as semelhanças com Junho de 2013

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Há quase 20 dias os cidadãos da Romênia estão nas ruas do país protestando. Tudo começou com uma mobilização contra uma emenda que abrandava a pena para alguns crimes de corrupção. No último domingo, no entanto, o recém-eleito governo voltou atrás e anunciou que retiraria a emenda. A decisão, ao invés de arrefecer os ânimos causou apenas uma mudança no intuito das milhares de pessoas que estavam nas ruas e pretendiam ali permanecer: elas passaram a demandar a queda do governo.

Ao ouvir a notícia sobre o que está se passando na Romênia, eu imediatamente lembrei do que aconteceu durante os protestos de junho de 2013, no Brasil. O aumento das passagens foi revogado em muitas cidades, mas uma sensação geral de insatisfação fez com que as pessoas ainda permanecessem nas ruas por algum tempo. Em realidades socio-políticas aparentemente tão distantes, as dinâmicas parecem se aproximar.

Para além disso, uma similaridade estética também chama atenção. A opção por máscaras (este estilo que se popularizou com o filme V de Vendetta e com o grupo Anonymous) e por expor políticos em roupas de presidiários, em alusão à necessidade de prendê-los pode ser vista tanto no Brasil quanto na Romênia.

No Brasil, já sabemos algumas consequências desse tipo de protesto. Se, por um lado, o nível de politização e de consciência da própria capacidade de mobilização pode ter aumentado na população, institucionalmente o país trocou um governo legitimamente eleito por um tapa buraco muito mais involucrado com corrupção que o anterior. Veremos como será o processo na Romênia, onde o chefe de governo, que é considerado de direita declarou apoio aos protestos. Já o primeiro-ministro e seus ministros, alvos diretos das ruas, lutam para manter-se no poder. O ministro da justiça, autor da controversa emenda constitucional, renunciou ontem. Veremos quais serão os próximos passos, sempre atentos se, por acaso, o pato da Fiesp também fará uma aparição por lá.

Nina Santos
Nina Santos é doutoranda no Centro de Análise e Pesquisa Interdisciplinar sobre os Media (CARISM) da Universidade Panthéon-Assas. Tem mestrado em Comunicação e Culturas Contemporâneas pela Universidade Federal da Bahia e especialização em Comunicação e Política pela mesma instituição. Tem experiência profissional no campo da comunicação política, democracia eletrônica e mídias sociais. Durante três anos e meio foi Editora de Mídias Sociais do Instituto Lula.

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