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Crise institucional prejudica debate eleitoral, dizem entidades

ResumoA crise político-institucional brasileira, a menos de um mês do primeiro turno das eleições, ofuscou as propostas de campanha e os problemas estruturais do país, segundo entidades ouvidas pela Agência Brasil. Temas como ciência, clima e minerais críticos ficaram fora do debate eleitoral, prejudicando a discussão de políticas públicas de longo prazo.

A menos de um mês do primeiro turno, a crise político-institucional ofuscou as propostas de campanha e os problemas estruturais do país, segundo entidades ouvidas pela Agência Brasil. Temas como ciência, clima e minerais críticos ficaram de fora.

Osmar Pereira da Mata
Por Osmar Pereira da MataColunista de Política Externa
Brasília · 13 de setembro de 2026 · 3 min de leitura
Crise institucional prejudica debate eleitoral, dizem entidades

A menos de um mês do primeiro turno das eleições de 2026, a escalada da crise político-institucional ofuscou o debate sobre as propostas de campanha e os problemas estruturais brasileiros. Para entidades da sociedade civil ouvidas pela Agência Brasil, ao extrapolarem o Supremo Tribunal Federal (STF) e envolverem outras instituições, as disputas entre ministros da Corte dominaram o noticiário, as redes sociais e as conversas cotidianas, desviando o foco dos desafios nacionais.

A presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Samira de Castro, reconheceu que o debate eleitoral está prejudicado porque as atenções estão voltadas para os reflexos da atual crise institucional do Poder Judiciário. Para a presidenta da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Francilene Garcia, a agenda pré-eleitoral foi tomada por temas que a sociedade não escolheu e que deveriam ser debatidos em conjunto com propostas de mudanças estruturais que estimulem o desenvolvimento nacional.

Os entrevistados concordam que os fatos vindos à tona a partir dos desdobramentos da Operação Compliance Zero, cuja primeira fase foi deflagrada em novembro de 2025 pela Polícia Federal (PF), são graves. Eles defendem a apuração das suspeitas de envolvimento de autoridades com o dono do antigo Banco Master, Daniel Vorcaro, mas sem tirar espaço do debate sobre as propostas de quem disputará um cargo executivo ou legislativo no dia 4 de outubro.

O coordenador honorário da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, considera as eleições deste ano as mais relevantes desde a Constituição Federal de 1988, pois o mundo está vivenciando uma reorganização produtiva e uma série de conflitos. Ainda assim, segundo ele, os grandes temas que deveriam estar em discussão, como desenvolvimento econômico, soberania nacional e uma agenda que articule defesa, educação, ciência e tecnologia, estão escanteados, inclusive dos programas de governo.

A presidenta do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), Rita Serrano, afirmou que, para a classe trabalhadora, são prioritários o fim da escala 6x1, a geração de emprego e renda, a regulamentação da negociação coletiva no setor público (Projeto de Lei 1.893/2026), a segurança pública e temas estratégicos para o desenvolvimento econômico e a preservação da soberania nacional, como o aproveitamento dos minerais críticos e estratégicos. Ela disse que as centrais sindicais vinham atuando no Congresso para convencer os parlamentares a aprovarem o fim da escala 6x1 e a regulamentação das relações de trabalho e da representação sindical no setor público, e que até o fim de agosto isso estava avançando.

O secretário executivo do Observatório do Clima, Márcio Astrini, lembrou o que aconteceu no Rio Grande do Sul e em outras partes do mundo, a seca na Amazônia e as enchentes no Sul do país, e criticou o fato de poucos candidatos citarem a crise climática entre suas principais preocupações. O coordenador executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Alcebias Constantino, disse que o tema dos minerais críticos também interessa ao movimento, porque diz respeito à luta pela demarcação e proteção dos territórios. Para fortalecer a presença indígena nos espaços de decisão, o movimento decidiu lançar e apoiar 56 candidatos aos cargos de deputado estadual (33), deputado federal (19), senador (dois), governador (um) e suplência do Senado (uma). Ele relativizou o impacto da crise institucional para as comunidades indígenas, habituadas a não verem suas prioridades acolhidas no debate eleitoral.

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