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Flávio e PL lideram uso de conteúdos feitos por IA

ResumoFlávio Bolsonaro (PL) lidera o uso de conteúdos políticos gerados por inteligência artificial nas eleições, com 13 publicações identificadas. Levantamento do Observatório IA nas eleições aponta que quase dois em cada três conteúdos políticos feitos com IA não sinalizaram o uso da tecnologia, prática que compromete a transparência eleitoral e dificulta a identificação do eleitor sobre a origem do material.

Levantamento do Observatório IA nas eleições mostra que quase dois em cada três conteúdos políticos feitos com inteligência artificial não sinalizaram o uso da tecnologia. Flávio Bolsonaro (PL) lidera entre candidatos, com 13 publicações.

Marlene Okafor Vieira
Por Marlene Okafor VieiraComentarista de Direitos Humanos
Brasília · 16 de setembro de 2026 · 2 min de leitura
Flávio e PL lideram uso de conteúdos feitos por IA

Quase dois em cada três conteúdos políticos feitos com inteligência artificial em publicações nas redes sociais não sinalizaram o uso da tecnologia, o que é proibido pela Justiça Eleitoral. O dado é do Observatório IA nas eleições, desenvolvido pela Data Privacy Brasil e pelo Aláfia Lab, com base em publicações entre 1º de janeiro e 16 de agosto de 2026.

O levantamento analisou 413 conteúdos. Desses, 250 (cerca de 60%) foram classificados como sátira, com o objetivo de ridicularizar algum político, e 163 (cerca de 40%) como desinformação.

"O dado levanta a preocupação dos conteúdos estarem sendo compartilhados sem o cuidado de informar ao público o uso da tecnologia seja por parte das contas que o publicam, como também das próprias plataformas digitais, que, apesar de disponibilizarem os recursos de rotulagem, possivelmente não estão moderando devidamente os conteúdos sintéticos", aponta o observatório.

A maior parte dos conteúdos de desinformação ou não sinalizados como criados por IA foi publicada por usuários anônimos. Entre os candidatos, o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) lidera a lista, com 13 conteúdos compartilhados. Em seguida vem o deputado federal Mário Frias (PL-SP), com 10 publicações.

O ex-governador Romeu Zema, candidato a presidente pelo Novo, publicou cinco; o deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), três; e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), três. Entre os partidos, o PL foi o maior propagador de mensagens feitas com IA de forma indevida, com 28 publicações. O PT compartilhou quatro mensagens e o PSDB, duas.

A maior parte dos casos identificados (81%) manipulou imagens ou voz de pessoas públicas, técnica classificada como deepfake. O principal alvo foi o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com imagem ou voz modificada de forma pejorativa em 112 publicações. Flávio Bolsonaro foi alvo de 57 manipulações.

Deepfake é um conteúdo sintético produzido ou manipulado por inteligência artificial ou tecnologia equivalente, com grau de realismo que reproduz ou altera a imagem, voz ou manifestação de pessoa viva, falecida ou fictícia. O TSE proibiu o uso de deepfake nas eleições quando o conteúdo for caracterizado como propaganda eleitoral.

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