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Flávio e PL lideram conteúdos feitos por IA, diz observatório

ResumoFlávio Bolsonaro e o PL lideram publicações políticas com inteligência artificial, segundo o Observatório IA nas Eleições. Quase dois em cada três conteúdos não sinalizaram o uso da tecnologia, prática proibida pela Justiça Eleitoral. O levantamento evidencia falhas na transparência sobre autoria algorítmica em campanhas eleitorais brasileiras.

Levantamento do Observatório IA nas eleições mostra que quase dois em cada três conteúdos políticos feitos por inteligência artificial não sinalizaram o uso da tecnologia, prática proibida pela Justiça Eleitoral. Flávio Bolsonaro e o PL lideram as publicações.

Lívia Andrade Quintela
Por Lívia Andrade QuintelaJurista de Direito Eleitoral
Brasília · 16 de setembro de 2026 · 2 min de leitura
Flávio e PL lideram conteúdos feitos por IA, diz observatório

Um levantamento do Observatório IA nas eleições, desenvolvido pela Data Privacy Brasil e pelo Aláfia Lab, identificou que quase dois em cada três conteúdos políticos feitos por inteligência artificial em publicações nas redes sociais, entre 1º de janeiro e 16 de agosto de 2026, não sinalizaram o uso da tecnologia. A prática é proibida pela Justiça Eleitoral.

Do total de 413 conteúdos analisados, 250 (cerca de 60%) foram classificados como sátira, com o objetivo de ridicularizar algum político. Outros 163 (cerca de 40%) foram classificados como desinformação. A maior parte dos conteúdos de desinformação ou não sinalizados foi publicada por usuários anônimos.

Entre os candidatos que publicaram esse tipo de mensagem, o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) lidera a lista, com 13 conteúdos compartilhados. O deputado federal Mário Frias (PL-SP) vem em seguida, com 10 publicações. O ex-governador Romeu Zema, candidato a presidente pelo Novo, publicou cinco; o deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), três; e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), três.

Entre os partidos, o PL foi o maior propagador de mensagens feitas com inteligência artificial de forma indevida, com 28 publicações. O PT compartilhou quatro mensagens e o PSDB, duas.

A maior parte dos casos identificados (81%) manipulou imagens ou a voz de pessoas públicas, técnica classificada como deepfake. O principal alvo foi o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com imagem ou voz modificada de forma pejorativa em 112 publicações. Flávio Bolsonaro foi alvo de 57 manipulações.

O observatório aponta preocupação com o compartilhamento sem informar o público sobre o uso da tecnologia, tanto pelas contas que publicam quanto pelas plataformas digitais, que, apesar de disponibilizarem recursos de rotulagem, possivelmente não estão moderando devidamente os conteúdos sintéticos.

Deepfake é um conteúdo sintético produzido ou manipulado por inteligência artificial ou tecnologia equivalente, que apresente grau de realismo e reproduza ou altere a imagem, voz ou manifestação de pessoa viva, falecida ou fictícia. O TSE proibiu o uso de deepfake nas eleições quando o conteúdo for caracterizado como propaganda eleitoral.

Na prática, quem está em campanha precisa redobrar o cuidado com o que publica e compartilha: a sinalização do uso de IA não é opcional, e a responsabilidade recai sobre a conta que divulga o material.

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