# Levantamento aponta uso de IA sem identificação por candidatos

> O Observatório Lupa identificou 37 conteúdos gerados por inteligência artificial sem identificação em contas oficiais de candidatos durante o período eleitoral. O levantamento aponta Lula como principal vítima em deepfakes e registra 202 ocorrências no Facebook, evidenciando falhas na sinalização de material sintético em plataformas digitais e risco à integridade informacional do debate público brasileiro.

*Comunicação e Política · Destaques · 11 de setembro de 2026 · Tarcísio Guedes do Amaral*

Levantamento do Observatório Lupa aponta 37 conteúdos gerados por IA sem identificação em contas oficiais de candidatos. Lula aparece como maior vítima em deepfakes; Facebook concentra 202 ocorrências.

Um levantamento do Observatório Lupa identificou pelo menos 37 conteúdos gerados com inteligência artificial (IA) publicados nas contas oficiais de candidatos em redes sociais. Em nenhum deles havia indicação da manipulação digital, o que contraria a exigência de transparência para o eleitor.

O Observatório Lupa analisou 314 conteúdos suspeitos coletados entre 16 e 26 de agosto em redes sociais e aplicativos de mensagem. Em 282 deles foi constatado uso de IA. A maioria era deepfake, peças criadas para simular a aparência, a voz ou a identidade de pessoas reais.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, foi a maior vítima dos conteúdos falsos gerados por IA, aparecendo 115 vezes. A segunda maior vítima foi Flávio Bolsonaro (PL), presente em 56 conteúdos.

O Facebook concentrou o maior número de registros de conteúdo enganoso, com 202 ocorrências, seguido do Instagram, com 62.

A gerente de inovação e formação e fundadora da Agência Lupa, Cristina Tardáguila, chamou atenção para a origem das publicações. "O que chama atenção nesses 37 casos é que não são conteúdos publicados por contas anônimas. São publicações feitas pelas contas oficiais de candidatos e partidos, que têm a obrigação de informar ao eleitor quando utilizam inteligência artificial", afirmou.

Em março deste ano, o TSE aprovou restrições ao uso de IA nas eleições, válidas para modificações com imagem e voz de candidatos ou pessoas públicas. A Corte eleitoral reafirmou que provedores de internet poderão ser responsabilizados pela Justiça se não retirarem perfis falsos e postagens ilegais de seus usuários.

Para quem acompanha a fiscalização eleitoral, o dado relevante não é apenas o volume de deepfakes, mas o fato de parte deles sair de canais que deveriam servir de referência ao eleitor. O custo de identificar a manipulação recai sobre quem recebe o conteúdo, não sobre quem o publica.

O levantamento cobre um recorte de dez dias em redes sociais e aplicativos de mensagem, o que limita conclusões sobre tendência ao longo da campanha. Ainda assim, os 37 casos sem aviso indicam onde está o gargalo: a regra existe, mas a sinalização na ponta depende de quem publica. regras do TSE para IA nas eleições

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Fonte (canonical): https://comunicacaoepolitica.com.br/destaques/levantamento-aponta-uso-ia-sem-identificacao-por-candidatos/
