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Spray de pimenta para mulher é medida paliativa, diz promotora, entenda

ResumoA promotora de Justiça considera a distribuição de spray de pimenta para mulheres uma medida paliativa. A ação não enfrenta as raízes da violência doméstica. Dados oficiais apontam subnotificação e impunidade elevadas no Brasil. O argumento jurídico sustenta que políticas públicas devem focar na prevenção estrutural e na responsabilização efetiva dos agressores.

Uma promotora de Justiça afirmou que distribuir spray de pimenta para mulheres é medida paliativa que não enfrenta as raízes da violência doméstica. Dados oficiais mostram que a subnotificação e a impunidade seguem altas. Entenda o argumento jurídico e os dados que sustentam a cr

Marlene Okafor Vieira
Por Marlene Okafor VieiraComentarista de Direitos Humanos
Brasília · 16 de julho de 2026 · 3 min de leitura
Spray de pimenta para mulher é medida paliativa, diz promotora, entenda

Spray de pimenta para mulher é medida paliativa, diz promotora, entenda o argumento

A promotora de Justiça Valéria Scarance, coordenadora do Núcleo de Gênero do Ministério Público de São Paulo, afirmou em evento recente que distribuir spray de pimenta para mulheres como forma de autodefesa é "medida paliativa" que não enfrenta as causas estruturais da violência doméstica. A declaração reacende o debate sobre políticas públicas de segurança feminina no Brasil. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 1 em cada 4 mulheres com 16 anos ou mais sofreu violência doméstica no último ano, e a subnotificação chega a 76% dos casos. Para a promotora, o spray desvia o foco do que realmente importa: prevenção, punição e acolhimento.

Por que o spray de pimenta é considerado paliativo?

A promotora Valéria Scarance sustenta que o spray de pimenta transfere para a mulher a responsabilidade pela própria segurança, em vez de cobrar do Estado ações concretas. "Não é com spray que vamos resolver a violência doméstica", disse ela. Dados do Conselho Nacional de Justiça mostram que, em 2024, o Brasil tinha 1.500 varas especializadas em violência doméstica, mas apenas 60% delas estavam em funcionamento pleno. Enquanto isso, o número de feminicídios cresceu 2,4% entre 2023 e 2024, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

O que falta nas políticas atuais

A crítica da promotora aponta três lacunas principais:

  1. Falta de delegacias especializadas: Apenas 8% dos municípios brasileiros têm Delegacia da Mulher, segundo o IBGE.
  2. Monitoramento ineficaz de agressores: Menos de 30% das medidas protetivas são fiscalizadas com tornozeleira eletrônica, conforme o CNJ.
  3. Educação preventiva ausente: A Lei Maria da Penha prevê ações educativas, mas só 12% das escolas públicas implementaram programas de prevenção à violência de gênero, de acordo com o MEC.

O spray de pimenta funciona na prática?

Mesmo como paliativo, o spray de pimenta tem eficácia limitada. Estudos internacionais indicam que ele pode desorientar um agressor por 15 a 30 minutos, mas em 40% dos casos a vítima também é afetada pelo spray, especialmente em ambientes fechados. A promotora alerta que o produto pode dar uma falsa sensação de segurança, levando mulheres a se colocarem em situações de risco maior.

Qual o caminho proposto pela promotora?

Valéria Scarance defende um pacote de medidas estruturais:

  • Ampliação das Delegacias da Mulher para todos os municípios com mais de 50 mil habitantes.
  • Monitoramento eletrônico obrigatório para agressores com medidas protetivas ativas.
  • Campanhas educativas nas escolas sobre consentimento e respeito.
  • Fortalecimento da rede de acolhimento: casas-abrigo e centros de referência em todos os estados.

Dados oficiais reforçam a crítica

Os números do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que, em 2024, 1.463 mulheres foram vítimas de feminicídio no Brasil. Desses, 65% ocorreram dentro de casa e 89% foram cometidos por parceiros ou ex-parceiros. A promotora argumenta que o spray de pimenta não impediria a maioria desses crimes, que acontecem em contexto de relação íntima e controle.

A perspectiva jurídica

A Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006) já prevê medidas protetivas e ações integradas de prevenção. O problema, segundo a promotora, é a implementação. Em 2024, o STF decidiu que a posse de spray de pimenta por mulheres em situação de violência doméstica não configura crime, mas a decisão não obriga o Estado a distribuí-lo.

Perguntas Frequentes

Por que a promotora critica o spray de pimenta?

Ela entende que a medida transfere a responsabilidade para a vítima e não ataca as causas da violência, como a impunidade e a falta de políticas públicas.

O spray de pimenta é proibido no Brasil?

Não. A posse é permitida, mas o uso em via pública pode ser enquadrado como porte ilegal de arma, dependendo da interpretação judicial.

Quais medidas a promotora defende no lugar do spray?

Delegacias especializadas, monitoramento de agressores, educação nas escolas e ampliação da rede de acolhimento.

Os dados de violência doméstica estão aumentando?

Sim. O feminicídio cresceu 2,4% de 2023 para 2024, e a subnotificação permanece elevada, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Como denunciar violência doméstica?

Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher) ou vá a uma Delegacia da Mulher. Em emergência, ligue 190.

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