9 cláusulas abusivas em contratos que podem ser anuladas
Cláusulas abusivas são determinações que colocam o consumidor em desvantagem excessiva. Conheça as 9 mais comuns, como identificá-las e o que fazer para anulá-las com base no Código de Defesa do Consumidor.
Cláusulas abusivas são determinações contratuais que colocam o consumidor em desvantagem excessiva e podem ser anuladas judicialmente com base no Código de Defesa do Consumidor (CDC). Identificá-las é o primeiro passo para não aceitar condições desleais. A seguir, listamos as 9 cláusulas abusivas mais comuns em contratos de consumo, com exemplos práticos do que caracteriza a nulidade.
1. Cláusula que inverte o ônus da prova contra o consumidor
O CDC estabelece que, em relações de consumo, cabe ao fornecedor provar que o produto ou serviço não apresenta defeito. Cláusulas que transferem essa obrigação ao consumidor são nulas. Exemplo: contrato que exige que o cliente apresente laudo técnico para reclamar de um defeito - isso fere o princípio da hipossuficiência.
2. Cláusula que limita a responsabilidade do fornecedor
Toda tentativa de excluir ou reduzir a responsabilidade por vícios ou defeitos é abusiva. Um contrato de seguro que isenta a seguradora de cobrir danos causados por erro próprio, por exemplo, não tem validade judicial. O fornecedor responde objetivamente pelos riscos do negócio.
3. Cláusula que estabelece multa desproporcional
O CDC permite multa de até 2% do valor da dívida em caso de inadimplemento. Cláusulas que fixam multa de 10% ou mais são automaticamente reduzidas pelo juiz. Um contrato de financiamento com multa de 5% já fere o limite legal e pode ser questionado.
4. Cláusula que proíbe o consumidor de reclamar publicamente
Não é raro encontrar contratos que vedam o consumidor de fazer críticas em redes sociais ou sites de reclamação. Essa prática viola o direito de informação e expressão. O fornecedor não pode impedir que o cliente relate sua experiência, desde que os fatos sejam verdadeiros.
5. Cláusula que transfere custos de cobrança para o consumidor
Alguns contratos preveem que o consumidor arque com honorários advocatícios e custas judiciais mesmo quando vence uma ação. Isso é abusivo porque desestimula o exercício do direito de defesa. Cada parte responde por seus próprios custos, salvo sucumbência fixada pelo juiz.
6. Cláusula que impõe foro de eleição distante
O consumidor tem direito de ser processado no foro de seu domicílio. Cláusulas que fixam o foro na sede do fornecedor, em outra cidade ou estado, são nulas. Isso vale para contratos de telefonia, cartão de crédito e planos de saúde, entre outros.
7. Cláusula que autoriza reajuste unilateral sem critério objetivo
Planos de saúde e contratos de seguro costumam prever reajustes por faixa etária ou sinistralidade. Quando o índice não é transparente ou não está previsto em contrato, o reajuste pode ser contestado. O consumidor tem direito a saber como o novo valor é calculado.
8. Cláusula que exige renúncia a direitos futuros
Contratos que pedem que o consumidor abra mão de direitos que ainda não existem - como indenizações futuras ou revisões contratuais - são nulos. O CDC proíbe a renúncia antecipada a direitos básicos, como o direito de arrependimento em compras online.
9. Cláusula que impõe prazo desproporcional para reclamação
O CDC estabelece prazos de 30 dias para reclamação de vícios aparentes em serviços não duráveis e 90 dias para duráveis. Cláusulas que reduzem esses prazos para 7 ou 15 dias são inválidas. O fornecedor não pode encurtar o prazo legal de garantia.
Como agir se identificar uma cláusula abusiva
Se você identificar uma cláusula abusiva em um contrato, reúna o documento e procure um advogado especializado em direito do consumidor ou o Procon da sua cidade. A ação judicial pode pedir a nulidade da cláusula sem invalidar o contrato inteiro. Em muitos casos, uma notificação extrajudicial já resolve o problema antes de ir a juízo.
Perguntas frequentes sobre cláusulas abusivas
O que caracteriza uma cláusula abusiva?
Uma cláusula abusiva é aquela que coloca o consumidor em desvantagem excessiva em relação ao fornecedor, violando o equilíbrio contratual. O CDC lista exemplos no artigo 51, como cláusulas que limitam direitos, invertem o ônus da prova ou impõem multas desproporcionais.
Como anular uma cláusula abusiva?
A nulidade pode ser declarada judicialmente, por ação própria ou como defesa em processo movido pelo fornecedor. O consumidor também pode registrar reclamação no Procon, que pode notificar a empresa para corrigir o contrato.
Cláusulas abusivas invalidam o contrato inteiro?
Não necessariamente. O juiz pode anular apenas a cláusula abusiva e manter o restante do contrato, desde que a parte remanescente continue viável. Isso evita que o consumidor perca o benefício do contrato por causa de uma única condição ilegal.
Contratos de adesão sempre têm cláusulas abusivas?
Nem sempre, mas são mais propensos porque o consumidor não negocia os termos. O CDC exige que cláusulas de contratos de adesão sejam redigidas de forma clara e destacada. Qualquer ambiguidade deve ser interpretada a favor do consumidor.
Qual o prazo para questionar uma cláusula abusiva?
O direito de questionar cláusulas abusivas não prescreve enquanto o contrato estiver vigente. Depois do fim do contrato, o prazo para ação é de 10 anos para contratos civis e 5 anos para relações de consumo, conforme o CDC.
O que fazer se a empresa se recusar a alterar a cláusula?
Se a empresa não corrigir a cláusula após notificação, o consumidor pode ingressar com ação judicial pedindo a nulidade e, se houver dano, indenização por perdas e danos. O Juizado Especial Cível é uma via rápida para causas de até 40 salários mínimos.