Especiais

Campanha convoca candidatos a defender o Cerrado nas eleições

ResumoA campanha #VotePeloCerrado, lançada por organizações da sociedade civil, convoca candidatos nas eleições a assinar uma carta-compromisso com oito propostas de proteção do bioma para os poderes Executivo e Legislativo. A iniciativa busca engajar políticos na conservação do Cerrado, um dos biomas mais ameaçados do Brasil.

Organizações da sociedade civil lançaram a campanha #VotePeloCerrado, que convoca candidatos a se engajarem na proteção do bioma. Uma carta-compromisso está aberta para assinaturas e traz oito propostas para o Executivo e o Legislativo.

Lívia Andrade Quintela
Por Lívia Andrade QuintelaJurista de Direito Eleitoral
Brasília · 11 de setembro de 2026 · 3 min de leitura
Campanha convoca candidatos a defender o Cerrado nas eleições

Organizações da sociedade civil lançaram a campanha #VotePeloCerrado, que convoca candidatos às eleições deste ano a se engajarem na proteção do bioma e dos povos que vivem nele. Uma carta-compromisso está disponível para assinaturas no site votepelocerrado.org.br. O documento oficializa quais postulantes às vagas no Executivo e no Legislativo se comprometem publicamente com as demandas.

Nesta sexta-feira (11), Dia Nacional do Cerrado, as organizações envolvidas destacam que o bioma abriga as nascentes que alimentam oito das 12 principais bacias hidrográficas do país. Mais de 50% de sua vegetação nativa foi destruída, e os rios têm enfrentado redução média de 27% na vazão.

As oito propostas da carta-compromisso

A campanha apresenta oito propostas para serem incorporadas pelos candidatos:

  1. Proteger o Cerrado e garantir seu reconhecimento como patrimônio nacional.
  2. Proteger as águas como direito fundamental.
  3. Garantir terra, território e autodeterminação dos povos.
  4. Combater a grilagem e a violência no campo.
  5. Enfrentar os impactos dos grandes empreendimentos e garantir a consulta livre, prévia e informada.
  6. Promover a agroecologia e fortalecer a agricultura familiar.
  7. Valorizar a sociobiodiversidade e a soberania alimentar.
  8. Garantir saúde, educação, participação popular e condições dignas de vida.

A Rede Cerrado, que reúne mais de 500 organizações por meio de associadas, e a Campanha Nacional em Defesa do Cerrado, que articula mais de 60 entidades, lideram a mobilização. Elas reúnem povos indígenas, quilombolas, povos e comunidades tradicionais, agricultores e agricultoras familiares, movimentos socioambientais e organizações de conservação da natureza.

O que dizem os responsáveis pela campanha

Para a coordenadora do Programa Cerrado no Instituto Sociedade População e Natureza (ISPN), Isabel Figueiredo, a proteção do bioma deve envolver projetos de longo prazo.

"Precisamos eleger parlamentares que compreendam a importância do Cerrado e não tenham uma visão imediatista que pode comprometer o nosso futuro."

A secretária executiva da Rede Cerrado, Ingrid Silveira, indica um conjunto de elementos que devem orientar os compromissos dos candidatos.

"As eleições precisam colocar no centro políticas que fortaleçam a agricultura familiar, a agroecologia e a sociobiodiversidade, garantindo território, crédito e acesso a mercados para quem cuida do bioma."

Durante o lançamento online da campanha, o presidente do Conselho Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais (CNPCT), Samuel Leite Caetano, alertou para a escolha de representantes do Congresso comprometidos com pautas ambientais e direitos dos povos tradicionais. Segundo o representante do povo geraizeiro, comunidade tradicional que habita o Cerrado no norte de Minas Gerais, os biomas correm sérios riscos a depender de quem seja eleito.

"Se a gente não souber votar em quem vai fazer a regularização fundiária, demarcação e gestão dos nossos territórios, a gente vai entregar para outros interesses. Temos visto inúmeras pressões contrárias, inclusive para rever unidades de conservação pelo país."

Ele destaca que proteger o Cerrado deve ser uma pauta de interesse de todo o país, não apenas de quem vive no bioma.

"A água que abastece as capitais vem do Cerrado, assim como todos os grandes rios. É preciso ter a dimensão da importância desse bioma, ainda mais nesse contexto de emergência climática", ressalta.

Suely Araújo, coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima, diz que o momento político, de retrocesso de legislações ambientais, reforça a necessidade de escolha atenta para as eleições deste ano.

"É preciso votar em políticos que se preocupem com os biomas e com o clima. Em plena crise climática, com chegada do El Niño, vemos candidatos negacionistas. Posições políticas que não consideram a emergência em que vivemos só vão piorar a vida dos brasileiros."

O que muda na prática para quem está em campanha

A adesão à carta é voluntária e não substitui nenhuma obrigação prevista na legislação eleitoral. O compromisso funciona como sinalização pública: o eleitor passa a ter um documento para cobrar depois da posse. Para candidatos, a assinatura entra no rol de posições registradas durante a campanha. prestação de contas de campanha

Leia também

Publicidade